sábado, 31 de julho de 2010

Rodovia Interoceânica rasga Amazônia com garimpo e desmatamento

31/07/2010 - 14:24 | Alfonso Daniels | enviado especial a Puerto Maldonado
Rodovia Interoceânica rasga Amazônia com garimpo e desmatamento entre Brasil e Peru

"Rápido! Esconde a câmera, que vão bater na gente!", grita o motoqueiro enquanto cruzamos a selva a toda velocidade. O barulho distante de motores, uma virada brusca do guidão e, de repente, a mata desaparece, substituída por um deserto que se estende até onde a vista alcança, repleto de vilarejos miseráveis com barracas de campanha de lona azul ao lado de poças d'água pestilentas com homens mergulhados até o pescoço.

Em Guacamayo, na província de Madre de Dios, no coração da Amazônia peruana, o negócio milionário da atividade de extração ilegal de ouro ameaça destruir a região. Esta é uma grande consequência oculta do trecho final que permitirá a ligação do oceano Atlântico (porto de Santos) ao Pacífico (portos no Chile e no Peru) por meio de uma rede de rodovias, a maior parte delas já construídas, que também passa pela Bolívia. Com a construção, zonas produtoras de carne e de soja do Brasil terão acesso a portos no oceano Pacífico, de onde poderão embarcar para a China.

A estrada, em seu trecho peruano, terá como pontos finais os portos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan de Marcona e deve ser concluída até o fim do ano.

"Isto aqui é o Velho Oeste. Não há lei nem presença do governo", afirma o biólogo peruano Enrique Ortíz, co-fundador da Associação de Preservação da Bacia Amazônica. "A rodovia está facilitando a imigração e barateando suprimentos essenciais, como a gasolina. Se nada for feito, daqui a 100 anos tudo isto se transformará em uma imensa savana, como no norte da Bolívia e em partes do Brasil. Não precisaremos mais ir até a Arábia Saudita para ver dunas".

Cratera

Autoridades estimam que cerca de 300 pessoas chegam à região a cada dia, num lugar quase inacessível até poucos anos atrás. Elas vêm do empobrecido altiplano boliviano em busca de trabalho e de uma vida melhor. A maioria termina no garimpo ilegal, aproveitando que o preço do ouro dobrou nos últimos dois anos, alcançando 1,2 mil dólares a onça (31 gramas), graças à crise econômica mundial.

E quase todos - cerca de 10 mil, embora ninguém saiba o número exato - terminam em Guacamayo, uma espécie de imensa cratera rodeada pela selva que pode ser vista do espaço. Ali, como nos anos 1970 e 80 em Serra Pelada (PA), os garimpeiros destroem a mata no afã de encontrar ouro em meio à areia debaixo das árvores, que depois vai parar em mercados europeus como Londres e Zurique.

Guacamayo, a rigor, tem apenas três anos de idade e fica cerca de 100 quiômetros ao sul da capital de Puerto Maldonado, acessível apenas de moto a partir de imensos acampamentos à beira da estrada, com nomes como Kilómetro 108 ou 112, dependendo do ponto da via. Mas já existem outros lugares similares como Jayave, Delta 1 e Delta 2, que não param de crescer. No total, cerca de 150 mil hectares já foram destruídos - até agora.

Madeira ilegal

Líderes garimpeiros como Amado Romero, presidente da poderosa Federação de Mineradores de Madre de Dios (Fedemin), reconhecem a destruição provocada pelo garimpo ilegal. Isto inclui dezenas de toneladas de mercúrio - até 80, segundo algumas organizações - usadas todo ano para separar o ouro da areia, contaminando os rios da região de tal modo que grande parte do peixe consumido agora vem de fazendas. Mas eles garantem que o garimpo de ouro pode respeitar o meio ambiente e culpam o governo por não intervir para combater o problema.

Seja quem for o culpado, o garimpo ilegal não é o único problema a acompanhar a Interoceânica. Ao norte de Puerto Maldonado, perto da fronteira com o Brasil, a ameaça vem de madeireiros ilegais. O presidente do comitê de gestão florestal do pequeno povoado de Alerta, José Cahuana, é um dos poucos que os enfrentam.

"Minha jurisdição é de 700 mil hectares e os madeireiros estão destruindo metade. Só falta construírem a ponte em Puerto Maldonado, que agora contém o fluxo de madeira, e você verá o que acontece. Será o fim", prevê, sentado na choupana de madeira onde mora e trabalha, num "escritório" formado por uma mesa, uma cadeira e um computador velho.

Tiros e propinas

Cahuana não ganha nenhum salário e se mantém com serviços esporádicos de carpintaria. Há dois anos, salvou a vida ao deixar o escritório antes da chegada do dono de um carregamento de madeira ilegal confiscado que dera oito tiros no vice-governador local. Desde então, parou de patrulhar a mata.

"Não vale a pena arriscar a vida", sentencia.

O governo não ajuda? "Não ajudam nem mesmo a viúva. E a polícia é pior: cobra pelo menos 50 soles (a moeda peruana, em quantia equivalente a 17 dólares) por carro, seja a madeira legal ou ilegal. Se souberem que um caminhão é ilegal, pedem 250 (90 dólares) e, se a espécie for boa, 500 soles. É um escândalo", afirma Cahuana com expressão cansada, enquanto lá fora recomeça a chover.

Capacitação

Ainda assim, a rodovia não leva só notícias ruins à região. Espera-se a chegada de milhares de visitantes, principalmente brasileiros a caminho de Cuzco e Machu Picchu, o que impulsiona vários projetos de ecoturismo e a proteção de algumas áreas. Um exemplo é o restaurante 70 quilômetros ao sul de Puerto Maldonado inaugurado há dois meses por Cirilo Méndez, um agricultor local que chegou a esta zona vindo da costa para cultivar café.

"Há dois ou três anos, eu vendia meus produtos como sempre, em meu quiosque à beira da estrada. De repente, o presidente da Conirsa [empresa construtora da Interoceânica] aparece e me diz: 'Seu Cirilo, amanhã o senhor precisa estar aqui, porque o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] vai chegar'. No dia seguinte, vários funcionários chegaram, trouxeram o dinheiro e nos capacitaram para administrar isso", conta Méndez, orgulhoso, vestindo um uniforme branco de cozinha e rodeado pela família.

"Chegam turistas brasileiros, peruanos, franceses, todos pela estrada... uns 30, 50 por dia. Temos um passeio de 45 minutos, uma rota turística pela selva. Aqui era tudo floresta quando cheguei, há 25 anos. Só um ou dois caminhões passavam por dia e, no inverno, às vezes ficavam um mês sem passar. Nossa vida agora mudou 100% graças à rodovia".

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 27 de julho de 2010

Nordeste é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas

27/07/2010 - 12h52
Nordeste é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas, diz Inpe

Fabio Reynol
Da Agência Fapesp, em Natal

O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos. No Brasil, a situação não foi diferente. Entre 1980 e 2005, as temperaturas máximas medidas no Estado de Pernambuco, por exemplo, subiram 3ºC.

Modelos climáticos apontam que, nesse ritmo, o número de dias ininterruptos de estiagem irá aumentar e envolver uma faixa que vai do norte do Nordeste do país até o Amapá, na região Amazônica.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que começou no domingo (25) e vai até a sexta-feira (30), em Natal, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Além da expansão da seca, o pesquisador frisou que o Nordeste deverá sofrer também com as alterações nos oceanos, cujos níveis vêm subindo devido ao aumento da temperatura do planeta. Isso ocorre não somente pelo derretimento das geleiras, mas também devido à expansão natural da água quando aquecida.

Cidades que possuem relevos mais baixos, como Recife (PE), sentirão mais o aumento do nível dos oceanos. E Nobre alerta que a capital pernambucana já está sofrendo as alterações no clima. “Com o aumento do volume de chuva, Recife tem inundado com mais facilidade, pois não possui uma rede de drenagem pluvial adequada para um volume maior”, disse.

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da região Nordeste seria a constante associação entre seca e pobreza. A pobreza, segundo o pesquisador, vem de atividades não apropriadas ao clima local e que vêm sendo praticadas ao longo dos anos na região. Plantações de milho e feijão e outras culturas praticadas no Nordeste não são bem-sucedidas por não serem adequadas à caatinga, segundo Nobre.

“A agricultura de subsistência é difícil hoje e ficará inviável em breve. Para que o sertanejo prospere, teremos que mudar sua atividade econômica”, disse.

O cientista citou um estudo feito na Universidade Federal de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que o desemprego no Nordeste tenderá a aumentar caso as atividades econômicas praticadas no interior continuem.

Nobre sugere a instalação de usinas de energia solar como alternativa. “A Europa está investindo US$ 495 bilhões em produção de energia captada de raios solares a partir do deserto do Saara, no norte da África. O mercado de energia solar tem o Brasil como um de seus potenciais produtores devido à sua localização geográfica e clima, e o Nordeste é a região mais adequada a receber essas usinas”, indicou.

“Ficar sem chuva durante longos períodos é motivo de comemoração para um produtor de energia solar”, disse Nobre, que ressaltou a importância dessa fonte energética na mitigação do aquecimento, pois, além de não liberar carbono, ainda economiza custos de transmissão por ser produzida localmente.

Mais eventos extremos
O potencial do Nordeste para a geração de energia eólica também foi destacado pelo pesquisador do Inpe. Devido aos ventos alísios que sopram do oceano Atlântico, o Nordeste tem em seu litoral um constante fluxo de vento que poderia alimentar uma vasta rede de turbinas.

Além da economia, Nobre chamou a atenção para as atividades que visam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que seriam importantes também para o Nordeste. “Os efeitos dessas mudanças são locais e cada lugar as sofre de um modo diferente”, disse.

Um dos efeitos dessas alterações é o aumento dos eventos extremos como tempestades, furacões e tsunamis. Em Pernambuco, as chuvas de volume superior a 100 milímetros em um período de 24 horas aumentaram em quantidade nos últimos anos.

“Isso é terrível, pois as culturas agrícolas precisam de uma precipitação regular. Uma chuva intensa e rápida leva os nutrientes da terra, não alimenta os aquíferos e ainda provoca assoreamento dos rios, reduzindo ainda mais a capacidade de armazenamento dos açudes”, disse.

Nobre propõe que os governos dos Estados do Nordeste poderiam empregar ex-agricultores sertanejos em projetos de reflorestamento da caatinga com espécies nativas. A reconstrução dessa vegetação e das matas ciliares ajudaria a proteger o ecossistema das alterações climáticas e ainda contribuiria para mitigá-las.

O cientista defendeu também o acesso à educação de qualidade a toda a população, uma vez que a porção mais afetada é aquela que menos tem acesso a recursos financeiros e educacionais.

A implantação de uma indústria de fruticultura para exportação é outra sugestão de Nobre para preparar o Nordeste para as mudanças no clima e que poderia fortalecer a sua economia.

“A relação seca-pobreza é um ciclo vicioso de escravidão e que precisa ser rompido. Isso se manterá enquanto nossas crianças não souberem ler, não aprenderem inglês ou não conseguirem programar um celular, por exemplo”, disse.

Imazon diz que desmatamento na Amazônia aumentou em junho

27/07/2010 - 09h45 / Atualizada 27/07/2010 - 12h40
Imazon diz que desmatamento na Amazônia aumentou em junho

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil, em Brasília

O desmatamento na Amazônia voltou a subir em junho, de acordo com levantamento da organização não governamental Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os satélites registraram 172 quilômetros quadrados (km²) de desmate, aumento de 15% em relação a junho de 2009.

O Pará liderou o desmatamento no mês, com 115 km² de floresta derrubada (67% do total de junho), seguido pelo Amazonas, com 22 km² de desmate, e por Mato Grosso, que perdeu 18 km² de vegetação nativa.

Segundo o Imazon, em junho, o desmatamento ocorreu principalmente na região da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), nos trechos entre os municípios paraenses de Itaituba, Novo Progresso e Altamira. A derrubada também se concentrou na rodovia Transamazônica, entre os municípios de Apuí e Humaitá, no Amazonas.

Faltando um mês para completar o calendário oficial do desmatamento, que vai de agosto de um ano a julho do outro, o Imazon aponta tendência de aumento na devastação da floresta. No acumulado entre agosto de 2009 e junho de 2010, o desmatamento detectado pela ONG foi de 1.333 km². A soma é 8% maior que a registrada no período anterior (agosto de 2008 a julho de 2009), quando a devastação medida foi de 1.234 km².

A tendência de aumento do desmate apontada pelo Imazon vai na contramão do que mostram até agora as estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelas estatísticas oficiais do desmatamento.

Em maio, o Inpe detectou 109,6 km² de novos desmatamentos, 12% menor que a área registrada pelos satélites no mesmo mês do ano passado. Somados os primeiros dez meses do calendário oficial de desmatamento, houve redução de 47% da devastação em relação ao período anterior, de acordo com os alertas do sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe.

No entanto, a tendência de redução verificada a partir dos dados do Inpe – e comemorada pelo Ministério do Meio Ambiente – ainda não inclui os números da devastação em junho e julho, meses em que as motosserras avançam mais por causa do período seco, que facilita o corte e o transporte da madeira ilegal na região.

A taxa anual do desmatamento é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), também do Inpe, e deve ser divulgada em outubro.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cientistas encontram água em rocha lunar

21/07/2010 - 17h59 / Atualizada 21/07/2010 - 19h09
Cientistas encontram água em rocha lunar coletada pela missão Apollo

Da Redação

Equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em parceria com equipe da Universidade do Tennessee, encontrou água em uma rocha lunar trazida por astronautas da missão Apollo 14, em 1971. A descoberta foi divulgada na edição desta semana da revista "Nature".

Segundo o principal autor do estudo, Jeremy Boyce, é surpreendente descobrir que é possível mensurar a quantidade de água em um mineral da Lua. Os pesquisadores esclarecem que o líquido não foi encontrado na forma como conhecemos, mas na de hidroxil (composto químico representado pelo radical OH).

"A lua foi considerada um osso seco desde o retorno das pedras da primeira Apollo", diz Larry Taylor, professor da Universidade do Tennessee em Knowville, que enviou amostras do basalto lunar aos cientistas do Caltech no ano passado. No entanto, ele explica que existem depósitos lunares que podem ter sido expelidos por erupções de vapor. Embora as erupções vulcânicas sejam dominadas por dióxido de carbono e gases de enxofre, dados mais recentes indicam que a água também poderia desempenhar um papel importante no fenômeno.

A equipe analisou a rocha lunar usando uma microssonda de íons, que é capaz de analisar grãos minerais com espessura menor que um cabelo humano.

Os pesquisadores afirmam que é difícil ampliar a quantidade de água encontrada na rocha de forma a calcular sua abundância na superfície lunar. Mas, para eles, a descoberta indica que há mais água na Lua do que se suspeitava.

Fonte: UOL Cência e Saúde

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pesquisadores identificam planta capaz de neutralizar o veneno da surucucu

20/07/2010 - 10h43 / Atualizada 20/07/2010 - 13h19
Pesquisadores identificam planta capaz de neutralizar o veneno da surucucu

Da Redação

Uma pesquisa inédita da UFF (Universidade Federal Fluminense) identificou uma planta capaz de neutralizar o veneno da cobra surucucu, uma das mais letais e a maior serpente venenosa da América do Sul.

O estudo de Rafael Cisne e André Fuly analisou as propriedades antiofídicas de 12 plantas brasileiras e descobriu que o extrato da S. barbatiman se mostrou totalmente eficaz contra o veneno da cobra surucucu, inclusive depois de submetido ao aquecimento de 80°C, oferecendo a mesma proteção.

Popularmente conhecida como 'barbatimão', 'barba-de-timão' ou 'casca da virgindade', a planta também possui outras atividades terapêuticas como cicatrizante, anti-hemorrágica e antimicrobiana.

Os acidentes com cobras são hoje combatidos com o soro antiofídico, mas eles apresentam vários efeitos colaterais, além de custos altos e dificuldades na distribuição, devido à exigência de conservação em baixas temperaturas.

O estudo, desenvolvido no Laboratório de Venenos e Toxinas de animais e Avaliação de Inibidores (Lavenotoxi), da UFF, e coordenado pelo professor André Lopes Fuly, mostra a distribuição dos acidentes ofídicos no Brasil, por Estado, a sazonalidade com que ocorrem, os efeitos que provocam no organismo humano e porque são considerados um problema de saúde pública grave.

Embora a maioria dos acidentes ocorra na zona rural, há certas evidências, segundo a pesquisa, de uma possível adaptação das serpentes às periferias das cidades, pois as precárias condições de saneamento básico propiciam a proliferação de roedores, que servem de alimento para as serpentes.

As vítimas são, preferencialmente, do sexo masculino, com idades entre 15 e 49 anos e, em 70% dos casos, são atingidos os membros inferiores. Os acidentes ocorrerem com mais freqüência nos meses quentes e chuvosos. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse aumento ocorre entre os meses de setembro a março, enquanto que na região Nordeste, o aumento é de janeiro a maio e, na região Norte, observa-se de maneira uniforme durante todo o ano. O Estado com o maior número de registros de ocorrência é o Pará, seguido de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Fonte: UOL

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Criado mosquito imune ao parasita da malária

19 de julho de 2010
Criado mosquito imune ao parasita da malária

Geneticamente modificado, ele poderá ser usado para deter a propagação da doença

por Nicholette Zeliadt

Estima-se que 1 milhão de pessoas morrem anualmente de malária, doença parasitária transmitida por mosquitos. As atuais estratégias de controle envolvem a pulverização de inseticidas ou uso de drogas para matar o parasita que infecta os seres humanos. Infelizmente, esses métodos são cada vez menos eficazes já que as pragas evoluem e resistem a tratamentos tóxicos. Nos últimos anos, os cientistas vêm trabalhando com os genes do inseto, na esperança de desenvolver mosquitos modificados incapazes de transmitir o parasita. Embora isso seja promissor, esses esforços produziram mosquitos com apenas uma leve redução da taxa de transmissão do parasita.

Agora, pesquisadores liderados Michael Riehle, entomólogo da University of Arizona, têm desenvolvido um mosquito transgênico completamente imune à infecção por Plasmodium falciparum, o parasita causador da malária nos seres humanos. Os pesquisadores esperam que sua descoberta possa um dia ser usada como parte de uma nova estratégia para combater a malária.

Para a propagação da malária, a fêmea do mosquito Anopheles sp primeiro deve ingerir o parasita de uma pessoa infectada. Uma vez dentro do mosquito, o parasita passa por um processo de maturação, cerca de duas semanas, viajando a partir do intestino do mosquito para as glândulas salivares, onde está pronto para ser transmitido para outros hospedeiros humanos.

"Nós fomos surpreendidos como isso funcionou tão bem", disse Riehle. "Estávamos esperando para ver algum efeito sobre a taxa de crescimento dos mosquitos e foi ótimo ver que a nossa construção bloqueou completamente o processo de infecção."

Para que qualquer mosquito transgênico seja verdadeiramente eficaz contra a malária, os mosquitos “artificiais” deverão competir e ganhar dos selvagens, um grande desafio que Riehle reconhece e espera realizar no futuro. Até que isso aconteça, os mosquitos geneticamente modificados de Riehle são guardados com segurança em seu laboratório.

Fonte: Scientific American Brasil